EVITANDO O PLÁGIO: ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS E DICAS GERAIS
EVITANDO O PLÁGIO: ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS E DICAS GERAIS
Fernando Manuel Pacheco Botelho*
RESUMO
Um dos principais objetivos deste artigo é a importância da pesquisa acadêmica como alternativa ao plágio, visto que o mesmo se constitui em crime, contudo podemos destacar também as orientações metodológico-científicas para o acadêmico nas questões do uso e forma de citações, referências bibliográficas e o uso da internet como fonte de pesquisa. O método aqui utilizado para alcançar estes objetivos será o explicativo em forma de artigo cientifico, com a utilização de apêndices como elementos de fundamentação, e ilustração. Esperamos desta forma como resultado alcançar, com êxito, a conscientização do corpo discente quanto ao uso da pesquisa como ferramenta de engrandecimento no processo de aprendizagem e como conseqüência a não utilização do plágio.
Palavras-chave: Plágio. Pesquisa Acadêmica. Metodologia Cientifica.
Professor Universitário – Faculdades Doctum
Mestrando em Economia Empresarial UCAM/RJ
E-mail: botelho@doctumgpi.com.br
1. INTRODUÇÃO
A finalidade deste artigo é de demonstrar o plágio como referencia nociva ao processo de ensino e apresentar como alternativa viável do mesmo a pesquisa científica, também fazendo do aluno instrumento facilitador de divulgação do conhecimento.
Tendo como o assunto plágio como objeto de estudo, devemos também abordar temas como: citações; paráfrases; resumos e referências; os quais ajudarão na compreensão metodológica de um trabalho acadêmico. No desenvolvimento teremos a oportunidade de aprofundar estes temas e exemplifica-los, para melhor compreensão, nos apêndices.
Versaremos o plágio sob o ponto de vista científico, aliando o assunto à cadeira de Metodologia Científica, contudo não esqueceremos de também aborda-lo sob a ótica criminal, pois a prática do mesmo constitui crime previsto em lei. Todas as formas de plágio serão abordadas, o plágio mais recente e ultimamente mais utilizado pelos alunos é o praticado através da internet, o qual também será estudado.
Ao tratamos da importância da relação direta entre a falta de pesquisa científica e a crise no processo de educação de nível superior, vale citar:
“Dentre os fatores que agravam essa crise esta exatamente o fato da dissociabilidade entre ensino e pesquisa. [...] onde o aluno ocupa uma posição passiva de mero captador e decorador de conceitos, ou seja, é mero objeto de assimilação de conhecimento e não atua como sujeito produtor de conhecimento no processo educativo”.¹
Existe no meio acadêmico, principalmente no corpo discente, uma crença que o plágio é uma atitude aceitável e que pode ser difundida. Justificamos a escolha deste assunto justamente para quebrar esse encanto e apontar o melhor caminho neste tão importante processo de ensino-aprendizagem.
¹SILVA , Marcelo Amaral. A importância da pesquisa no ensino jurídico. Revista de Direito da Unijui/RS. Porto Alegre, ano 1, n. 1, 2004. p 13.
2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Definição e tipos de plágio
Podemos definir plágio, no nosso contexto, como assinar ou apresentar como sua obra científica de outrem. Existem alguns tipos, que são:
ü Direto: ato de copiar uma fonte palavra por palavra sem a indicação que é uma citação e sem fazer referência ao autor;
ü Empréstimo: ato de tomar emprestado o trabalho de outros estudantes, sem a devida indicação do verdadeiro autor se torna um plágio direto;
ü Mosaico: ato de mudar algumas palavras dos parágrafos, podendo ser classificados como paráfrases, sem apontar o devido crédito ao autor original.
Podemos reconhecer facilmente um trabalho plagiado por não indicar claramente os créditos, é cheio de fatos, observações e idéias que o escritor não poderia ter desenvolvido sozinho e é escrito num estilo diferente. Todos os tipos de escritores se baseiam em outros autores, eles sabem que suas idéias são geradas no contexto das idéias dos outros.
Imitar trabalho alheio é crime, inclusive prevista em lei (Lei nº. 9.610, de 19/02/1998)², esta regula os direitos autorais, entendendo-se sob esta denominação os direitos de autor e os que lhes são conexos.
2.2. Plagio na internet
Na internet existem inumeros sites que hoje oferecem trabalhos acadêmicos tentadores, são oferecidos com raidez de entrega e alguns poucos casos com qualidade, contudo a maioria são meras fábricas de produtos genéricos, pois são muito superficiais e escritos em tom informativo, com pouco caráter científico e com seus preços determinados pela quantidade de páginas.
²BRASIL, Lei nº. 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília 19 de fev. 1998.
Estes trabalhos normalmente são reconhecidos pelos professores. Os falsários e plagiadores quase sempre usam fontes completamente diferentes daquelas utilizadas pelos mestres em suas aulas e os mesmos não possuem erros de Lingua Protuguêsa, o que infelizmente está fora da maior parte da realidade dos alunos.
Se pegar trabalhos na internet é tão fácil e barato, por que não fazer? Poderiamos enumerar dezenas de motivos, mas acredito que as três a seguir são os mais importantes:
1º Punição: conforme relatado no ítem anterior plagiar é crime passivel de punição, sendo que os qualquer cidadão podera denunciar esta prática;
2º Aprendizado: com a utilização da cópia e do uso do plágio não terão a oportunidade de pesquisar e de certeza cairá a qualidade de seu estudo;
3º Integridade: devido as grandes facilidades proporcionadas por este novo veiculo de informação a nossa ética é constantemente colocada em prova.
Se a postura acadêmica for de apenas ser um internauta que sabe localizar os melhores plágios logo você começa a andar em círculos a procura de pessoas que possam fazer seu próprio trabalho.
2.3. Evitando o plágio
Alguns alunos plagiam devido à falta de boas instruções de redação têm dificuldade de escrever redações corretas e coerentes, e devido a este fato recorrem ao uso do plágio. Outros até tiveram uma boa base em redação, porém por falta de tempo e comodidade recorrem ao recurso do plágio.
Para realizar um trabalho acadêmico é primordial que se utilize da Metodologia Científica que podemos conceituar como “[...] prima-se por iniciar os jovens no trabalho científico reflexivo, ordenado e crítico, familiarizando-os, ao mesmo tempo, com as técnicas do trabalho intelectual e da preparação de relatórios científicos”³
³BRAVOS, Vagner Valadares. Curso de Metodologia do Trabalho Científico. 3 ed. Caratinga: Doctum. 2006. p 6.
Caso você se utilize do resumo ou da paráfrase, onde reformula com suas próprias palavras algo que sua fonte disse, ou ler qualquer conteúdo que vá contribuir com o seu trabalho, faça uma citação (APENDICE A) do mesmo sem nunca deixar de fazer a devida referência (APENDICE B).
Algumas medidas são importantes para evitar o plágio, tais como:
ü Tempo: reserve bastante tempo para pesquisar, escrever e revisar o seu trabalho. Quando falta tempo o plágio se torna uma grande tentação;
ü Bibliografia: faça sempre uso da Leitura Sintópica, sua originalidade resulta da síntese do que você leu;
ü Normas Técnicas: contar sempre com um guia de documentação com as regras de como redigir referências bibliográficas;
ü Ajuda: existem sempre professores especialistas em redação e metodologia científica, sempre que precisar procure-os para as devidas orientações;
ü Confiança: acredite no seu potencial e trabalhe arduamente.
3. CONCLUSÕES
Ao plagiar os escritores perdem as vantagens de pertencer a uma comunidade intelectual. Profissionais perdem a credibilidade e seu provável lucro e os acadêmicos terão os seus trabalhos sob suspeita e não serão apoiados em trabalhos futuros. Nunca devemos esquecer que podemos ser punidos com o rigor da lei.
O aprendizado das fontes bibliográficas e sua correta utilização são muito importantes, dar os devídos créditos as fontes selecionadas seus escritos ganham autoridade, clareza e precisão. As fontes bibliográficas também são fontes do saber, estes conhecimentos também poderão ser utilizados em sua vida pessoal e profissional.
Devemos aprender a expressar as nossas próprias idéias com a devida clareza caso contrário será preocupante a perspectiva de que a qualidade do seu trabalho possa se limitar à qualidade do que está na Internet.
As idéias devem circular livremente, principalmente nas universidades, a maioria dos trabalhos de pesquisas não poderiam ocorrer sem empréstimos dos conteúdo de outros. Entenda, acima de tudo, que plagiar é sempre a pior solução para qualquer problema acadêmico.
REFERÊNCIAS
ABNT. NBR 6023. Informação e documentação: elaboração de referências. Rio de Janeiro. 2002.
ABNT. NBR 10520. Informação e documentação: citação em documentos. Rio de Janeiro. 2002.
BRASIL, Lei nº. 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília 19 de fev. 1998. Disponível em: <htp://www. mct.gov.br>. Acesso em: 03 out. 2006.
BRAVOS, Vagner Valadares. Curso de Metodologia do Trabalho Científico. 3 ed. Caratinga: Doctum, 2006.
SILVA, Marcelo Amaral. A importância da pesquisa no ensino jurídico. Revista de Direito da Unijui/RS. Porto Alegre, ano 1, n. 1, 2004.
APÊNDICES
APENDICE A – Definição e Modelos de Citações
Citação é a menção de informações colhidas de outra fonte para esclarecimento do assunto em discussão ou para ilustrar ou sustentar o que se afirma.
A toda citação é indispensável a identificação imediata da fonte de onde esta foi retirada. A identificação da fonte pode aparecer: Incluída no texto; Em nota de rodapé.
As citações podem ser:
v Direta: quando é feita a transcrição literal de palavras ou trechos de autores;
Ø Até três linhas: deve vir inserida no texto e entre aspas duplas.
§ Exemplo:
Os especialistas da área discutem que “[...] conceitos fundamentais para o uso de sinalização, indicam que ‘feita em casa’ mostra apenas boa vontade” (FIGUEIREDO, 1991, p.108).
Ø Mais de três linhas: aparece em parágrafo isolado, iniciado a 4cm a partir da margem esquerda com letra menor do que a do texto original (fonte tamanho 10), com entrelinhas com espaço simples e sem aspas.
§ Exemplo:
No mundo moderno a tecnologia vem evoluindo bastante,
[...] a tecnologia está tão avançada que podemos dispor de um computador para resolver nossos problemas “caseiros”. Podemos também nos comunicar, na hora que desejamos, via telefone, com o outro lado do mundo (CORTEZ, 1995 p.40).
Essa realidade vem transformando nossas vidas.
v Indireta (paráfrase): citação livre do texto, quando ocorre a reprodução de idéias, sem haver transcrição das próprias palavras do autor consultado;
v Citação de citação: transcrição direta ou indireta de um texto a partir de outra fonte, isto é, não se teve acesso ao original.
APENDICE B – Definição e Modelos de Referências
Referencias são os elementos essenciais e indispensáveis á identificação do documento. Em geral são. Autor, título, edição, local, editora e data.
v Até três autores identificados:
Ø CHAVE: SOBRENOME, Prenome; SOBRENOME, Prenome; SOBRENOME, prenome. Titulo: subtítulo (se houver). Edição. Local: Editora, ano.
§ Três autores:
SCHNEIDER, J. O.; LENZ, M. M.; PETRY, A. A realidade brasileira: estudo de problemas brasileiros. 10ª ed., Porto Alegre: Sulina, 1990.
v Mais de três autores identificados:
Ø CHAVE: SOBRENOME, Prenome et al. Titulo: subtítulo (se houver). Edição. Local: Editora, ano.
§ Exemplo:
SCHNEIDER, J. O. et al. A realidade brasileira: estudo de problemas brasileiros. 10ª ed., Porto Alegre: Sulina, 1990.
v Artigos em revistas de autor identificado:
Ø CHAVE: SOBRENOME, Prenome. Titulo: subtítulo (se houver). Título da revista, Local, nº ano e/ou volume, nº fascículo, paginas inicial e final do artigo, data.
§ Exemplo:
ANJOS, Eduardo. A nova realidade agrária: questão ambiental. Veja, São Paulo, ano 6, v.1, n.1, p. 105-122, 1998.
v Artigos em jornais de autor identificado:
Ø CHAVE: SOBRENOME, Prenome. Titulo. Título do jornal, local de publicação, página inicial e final do artigo, data (dia, mês e ano).
§ Exemplo:
BRIDI, Rita. Grande Vitória já soma um milhão de subnutridos. A Gazeta, Vitória, p. 5, 20 fev. 1994.
v Teses, dissertações e trabalhos acadêmicos originais de autor identificado:
Ø CHAVE: SOBRENOME, Prenome. Titulo: subtítulo (se houver). Local: Instituição, ano, nº. páginas. (Tipo do trabalho – categoria, grau e área de concentração).
§ Exemplo:
PEROTA, Luis. Indústria de Café no Espírito Santo: a fotografia como fonte de pesquisa. Vitória: UFES, 1995, 170 p. (Dissertação, Mestrado em Jornalismo Fotográfico).
v Leis, decretos, medidas provisórias e portarias.
Ø CHAVE: LOCAL DE JURISDIÇÃO. Tipo, numero e data do ato legislativo. Referência da publicação consultada (livro ou periódico). Local e data.
§ Exemplos:
BRASIL, Lei nº. 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília 19 de fev. 1998.
BRASIL, Lei nº. 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília 19 de fev. 1998. Disponível em: <htp://www. mct.gov.br>. Acesso em: 03 out. 2006.
v Homepages e sites
Ø CHAVE: Autor, Título, data, endereço eletrônico e data de acesso.
§ Exemplo:
CARDOSO, Augusto. Os malefícios do álcool nas gestantes. 2004, Disponível em: <htp://www. mct.gov.br>. Acesso em: 03 out. 2005.
Last modified 17/05/2007 04:01:PM


